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O surto e incremento da produção do café foram favorecidos por uma série de fatores existentes à esta época. As culturas do açúcar e do algodão estavam em crise, batidas no mercado internacional pela produção das Antilhas e dos EUA, o que obrigava os fazendeiros a encontrar outro produto de fácil colocação no mercado internacional. Além disso, a decadência da mineração libertou mão-de-obra e recursos financeiros na região Centro-Sul (Minas Gerais e Rio de Janeiro, principalmente) que podiam ser aplicados em atividades mais lucrativas.

A produção brasileira também foi favorecida em relação ao mercado internacional devido ao colapso dos cafezais de Java (devido a uma praga) e do Haiti (devido aos levantes de escravos e à revolução que tornou o país independente). Outros fatores decisivos foram a estabilização do comércio internacional depois das guerras napoleônicas e a expansão da demanda européia e americana por uma bebida de baixo custo. Assim, em um espaço de tempo relativamente curto de tempo, o café passou de uma posição relativamente secundária para a de produto-base da economia brasileira.

A exportação brasileira do café começou a crescer a partir de 1816. Na década de 1830-1840, o produto assumiu a liderança das exportações do pais, com mais de 40% do total; o Brasil tornou-se, em 1840, o maior produtor mundial de café. Na década 1870-1880, o café passou a representar até 56% do valor das exportações. Começou então o período áureo do chamado ciclo do café que durou até 1930; no final do séc. XIX, o café representava 65% do valor das exportações do pais, chegando a 70% na década de 1920.

Por quase um século, o café foi a grande riqueza brasileira, e as divisas geradas pela economia cafeeira aceleraram o desenvolvimento do Brasil e o inseriram nas relações internacionais de comércio. A importância econômica do café refletiu-se na sua grande expansão geográfica (que chegou até o Paraná e o Mato Grosso e facilitando o surgimento de inúmeras cidades), nas ferrovias que foram construídas para permitir o escoamento da produção (substituindo o transporte animal e impulsionando o comércio inter-regional de outras importantes mercadorias) e nos grandes contingentes de imigrantes que chegavam ao Brasil e eram utilizados na produção de café. A riqueza fluía pelos cafezais, evidenciada nas elegantes mansões dos fazendeiros, que traziam a cultura européia aos teatros erguidos nas novas cidades do interior paulista.